São Paulo, 16 de janeiro de 2026 — Os eventos assistenciais relacionados ao transtorno bipolar em atendimentos prestados pelos planos de saúde apresentaram crescimento expressivo e contínuo entre 2015 e 2024, segundo o estudo “Evolução dos eventos assistenciais relacionados ao transtorno bipolar na saúde suplementar brasileira”. Elaborado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o estudo é uma iniciativa dentro do Janeiro Branco, movimento nacional de conscientização que convida a sociedade a refletir sobre a importância da saúde mental, a prevenção do adoecimento psíquico e a redução do estigma associado aos transtornos mentais.
Clique aqui e acesse a íntegra do estudo.
O levantamento mostra que a ampliação da demanda ocorre em ambos os sexos e em todas as faixas etárias, com aceleração mais intensa a partir dos anos recentes, reforçando que a saúde mental ganha relevância crescente dentro do sistema de saúde suplementar.
A análise revela aumento significativo tanto na razão de casos por prestador de serviços de saúde (volume de atendimentos por prestador) quanto nas taxas por 100 mil beneficiários.
Entre os homens, a taxa de eventos cresceu 258,3% no período analisado; entre as mulheres, o avanço foi ainda maior, de 273,7%. Embora os valores absolutos sejam mais elevados no sexo feminino ao longo de toda a série histórica, o ritmo de crescimento é semelhante entre os sexos, indicando um fenômeno sistêmico de ampliação da demanda por cuidado em saúde mental.
“Não estamos diante de oscilações pontuais, mas de uma tendência estrutural de crescimento da demanda por cuidado em saúde mental, com o transtorno bipolar assumindo relevância crescente no perfil assistencial do setor”, avalia José Cechin, superintendente executivo do IESS.
O estudo também chama atenção para o comportamento por faixa etária. A maior concentração absoluta de eventos ocorre entre adultos de 20 a 59 anos, população em idade produtiva e diretamente associada a impactos econômicos e assistenciais relevantes. Ao mesmo tempo, observa-se crescimento proporcional ainda mais acelerado entre beneficiários com 60 anos ou mais, sinalizando um processo de envelhecimento da população com transtornos mentais crônicos. Entre crianças e adolescentes, apesar de os níveis absolutos ainda serem baixos, o aumento relativo é expressivo, sugerindo maior vigilância clínica e ampliação do acesso ao diagnóstico e ao cuidado especializado.
“Esse crescimento reflete, em grande medida, a combinação entre maior reconhecimento clínico e ampliação do acesso aos serviços em saúde mental, e não apenas um aumento abrupto da incidência da doença”, explica Cechin.
Ao evidenciar a expansão contínua desses atendimentos, o levantamento do IESS reforça a necessidade de tratar a saúde mental como eixo estruturante das políticas assistenciais, e não como tema periférico.
Além dos impactos clínicos, o estudo destaca repercussões relevantes para operadoras de planos de saúde e empresas contratantes, uma vez que o transtorno bipolar está associado a custos assistenciais diretos, afastamentos prolongados, absenteísmo, presenteísmo e perda de produtividade. Nesse contexto, estratégias de cuidado estruturado, longitudinal e integrado tornam-se fundamentais para a sustentabilidade do sistema.
O IESS ressalta que o fortalecimento de modelos assistenciais baseados em dados, alinhados às necessidades reais da população beneficiária, é decisivo para enfrentar o crescimento observado dos transtornos mentais e para avançar na construção de um sistema de saúde suplementar mais eficiente, integrado e sensível aos desafios contemporâneos da saúde mental.
Sobre o IESS
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é uma organização sem fins lucrativos dedicada à produção de estudos técnicos e conceituais sobre a saúde suplementar no Brasil. O Instituto contribui para a formulação de políticas públicas e a disseminação de boas práticas, com foco na sustentabilidade do sistema, no aprimoramento do financiamento da saúde e na qualificação do debate setorial. Reconhecido pela excelência técnica e independência, o IESS é referência nacional na produção de dados, análises e propostas voltadas ao desenvolvimento da saúde suplementar.
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Jander Ramon
São Paulo, 14 de janeiro de 2026 - Pesquisa Vox Populi / IESS mostra que 60% dos brasileiros dizem buscar informações sobre saúde na internet, e, desses, nove em cada dez afirmam que o Google é o principal ponto de partida para procurar dados sobre sintomas, doenças, diagnósticos e tratamentos. O levantamento revela que 19% dos entrevistados indicam o uso de inteligência artificial para se informar e compreender as informações de saúde. Embora confirme o comportamento digital na busca por informações sobre saúde, o mesmo levantamento expõe uma contradição: a maioria dos entrevistados diz não confiar totalmente nas informações encontradas. Clique aqui e acesse a íntegra da pesquisa.
Para o superintendente executivo do IESS, José Cechin, os resultados refletem o comportamento dentro de um “cotidiano digital”. “Nosso país possui mais celulares do que cidadãos. O brasileiro pesquisa sintomas, compara tratamentos e busca prevenção pela internet. É um comportamento de autonomia, mas com cautela”, afirma. “Essa realidade materializa a responsabilidade de quem produz e disponibiliza conteúdo no mundo digital, mas é muito importante que cada pessoa esclareça dúvidas sobre a sua saúde diretamente com um profissional capacitado e de confiança”, observa.
Um ponto de atenção levantado pela pesquisa é o uso das redes sociais como fonte para se informar sobre a saúde, indicado por 9% dos entrevistados. “No mundo todo há um debate muito importante sobre o monitoramento e a responsabilidade pelo que se posta nas redes sociais. Esse dado reforça como esse meio já se insere nesse contexto de debate sobre a supervisão das redes”, pondera Cechin.
Quando manifesta os meios digitais em que mais confia para se informar sobre saúde, 24% dos entrevistados indicam sites especializados e portais de notícias; enquanto 20% indicam redes sociais, mesmo índice atribuído à inteligência artificial. Ainda assim, apenas uma minoria declara confiar plenamente nas informações obtidas, enquanto a maior parte afirma “acreditar parcialmente” no que lê ou assiste — um sinal de que o comportamento digital vem acompanhado de cautela e desconfiança.
O levantamento ouviu 3.200 pessoas com 18 anos ou mais, entre beneficiários e não beneficiários de planos de saúde e odontológicos, em oito regiões metropolitanas — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre, Manaus e Brasília. As entrevistas foram presenciais, realizadas entre 31 de julho e 17 de agosto de 2025, com nível de confiança de 95%.
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Jander Ramon
São Paulo, dezembro de 2025 — O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) apresenta os vencedores da 15ª edição do Prêmio IESS de Produção Científica em Saúde Suplementar, principal reconhecimento acadêmico do País dedicado à pesquisa sobre o setor. A premiação contempla estudos desenvolvidos nas categorias Promoção da Saúde, Qualidade de Vida e Gestão em Saúde; Direito; e Economia, com foco na produção de conhecimento baseado em evidências e com impacto para o aprimoramento do sistema de saúde suplementar brasileiro. Os vencedores de primeiro lugar em cada categoria receberam um Kindle. Clique aqui e acesse os trabalhos vencedores.
Segundo José Cechin, superintendente executivo do IESS, o Prêmio cumpre um papel estratégico para o setor. “Ao longo de 15 edições, o Prêmio IESS se consolidou como um instrumento fundamental de aproximação entre a produção acadêmica e os desafios concretos da saúde suplementar. Reconhecer pesquisas de qualidade é essencial para qualificar o debate público, fortalecer a regulação e apoiar decisões mais eficientes e sustentáveis”, afirma.
Na categoria Promoção da Saúde, Qualidade de Vida e Gestão em Saúde, avaliada pelo Prof. Dr. Alberto Ogata, o primeiro lugar foi concedido a Luana Martins Oliveira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pelo trabalho “Estratégia de influência: um estudo dos atos de concentração econômica realizados por hospitais e planos de saúde no Brasil”. O estudo analisou atos de concentração econômica aprovados pelo CADE entre 2014 e 2019 e identificou um processo relevante de consolidação do setor, com potenciais impactos sobre a equidade do sistema de saúde e a formulação de políticas públicas. O segundo lugar ficou com Ana Cláudia Couto de Abreu, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), cujo trabalho desenvolveu um modelo preditivo para eventos adversos graves não infecciosos em internações hospitalares. A menção honrosa foi concedida a Anderson Almeida Ferreira (UFMG), pelo estudo que avaliou o uso de grandes modelos de linguagem na sumarização de diálogos reais entre pacientes e equipes de saúde, com potencial aplicação na atenção primária digital.
Na categoria Direito, avaliada pelo Prof. Dr. Dalton Tria Cusciano, o primeiro lugar foi concedido a Vinicius Machado Rodrigues Vianna, da Fundação Getulio Vargas – Rio de Janeiro (FGV Direito Rio), pelo trabalho “Deferência do STJ às escolhas regulatórias da ANS sobre coberturas assistenciais”. A pesquisa analisou decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e identificou heterogeneidade no grau de deferência às normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com impactos relevantes sobre a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória do setor. O segundo lugar ficou com Valquíria Ferreira de Faria, da Universidade de Brasília (UnB), cujo estudo analisou a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) como instrumento de resolução extrajudicial de conflitos, destacando sua contribuição para a redução da judicialização.
Na categoria Economia, avaliada pelo Prof. Dr. Antonio Carlos Coelho Campino, o primeiro lugar foi concedido a Isamara Silva Cota, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, pelo trabalho que analisou práticas de gestão de riscos de subscrição em cooperativas médicas à luz da regulação da ANS, evidenciando avanços em governança e controles internos. O segundo lugar ficou com Vinicius Martins Castilho, do Hospital Sírio-Libanês, cujo estudo avaliou os impactos clínicos e econômico-financeiros de modelos de gestão de saúde populacional baseados na Atenção Primária à Saúde (APS), indicando redução de custos e retorno positivo sobre o investimento.
Para Cechin, a diversidade temática dos trabalhos reforça a importância do Prêmio. “Os estudos premiados mostram como a pesquisa acadêmica pode contribuir de forma concreta para a melhoria da gestão, da regulação e do cuidado em saúde. Ampliar o acesso a esse conhecimento é parte central da missão do IESS”, destaca.
Os trabalhos vencedores e as pesquisas reconhecidas nesta edição estão disponíveis para download no site do IESS. Podem se inscrever no Prêmio pesquisadores e estudantes autores de artigos científicos ou trabalhos de conclusão de cursos de pós-graduação, incluindo MBA, mestrado e doutorado.
Ao completar 15 edições, o Prêmio IESS de Produção Científica em Saúde Suplementar reafirma o compromisso do Instituto com o fortalecimento da produção científica qualificada e com a disseminação de evidências que contribuam para um sistema de saúde suplementar mais eficiente, sustentável e orientado por conhecimento técnico.
Sobre o IESS
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo promover e realizar estudos sobre saúde suplementar baseados em aspectos conceituais e técnicos que colaboram para a implementação de políticas e para a introdução de melhores práticas. O Instituto busca preparar o Brasil para enfrentar os desafios do financiamento à saúde, como também para aproveitar as imensas oportunidades e avanços no setor em benefício de todos que colaboram com a promoção da saúde e de todos os cidadãos. O IESS é uma referência nacional em estudos de saúde suplementar pela excelência técnica e independência, pela produção de estatísticas, propostas de políticas e a promoção de debates que levem à sustentabilidade da saúde suplementar.
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Jander Ramon
São Paulo, dezembro de 2025 — Às vésperas do início do verão, que começa no próximo sábado (21), um novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) acende um alerta sobre o avanço do câncer de pele no Brasil. Entre 2015 e 2024, os registros da doença entre beneficiários de planos de saúde mais que triplicaram, com aumento acumulado de 307,1% na taxa de casos por 100 mil beneficiários. Embora o trabalho se baseie em dados da saúde suplementar, o IESS destaca que a tendência observada funciona como um importante indicativo de um problema que afeta o conjunto da população brasileira, especialmente em um período marcado pelo aumento da exposição solar.
O estudo “Evolução do câncer de pele entre beneficiários de planos de saúde (2015-2024)” está disponível no site do IESS. Clique aqui para fazer o download.
“O início do verão reforça a atualidade desse debate. Os dados analisados refletem um fenômeno mais amplo, associado ao envelhecimento da população, ao efeito cumulativo da exposição solar – também uma consequência das mudanças climáticas –, à necessidade de diagnóstico cada vez mais precoce e à adoção de ações que estimulem a prevenção”, afirma José Cechin, superintendente executivo do IESS.
Diante do crescimento da doença entre beneficiários, o estudo aponta aumento relevante da pressão sobre a rede assistencial. A relação de casos por prestador de serviço de saúde cresceu 73,3% ao longo da série histórica, indicando maior concentração da demanda sobre a rede credenciada, especialmente dermatologistas e profissionais envolvidos no tratamento oncológico. “Espera-se que o mesmo efeito esteja ocorrendo no SUS”, observa Cechin.
A análise por faixa etária mostra que o avanço da doença é fortemente impulsionado pelo envelhecimento. Beneficiários com 60 anos ou mais apresentaram as maiores taxas em todos os anos analisados, alcançando 108,6 casos por 100 mil beneficiários em 2024, quase quatro vezes maior do que o patamar observado em 2015. Entre adultos de 40 a 59 anos, o crescimento também foi expressivo, enquanto a população com menos de 40 anos manteve taxas mais baixas.
Os resultados indicam ainda que, apesar de os homens apresentarem taxas absolutas mais elevadas, o crescimento proporcional foi praticamente idêntico entre homens e mulheres, o que sugere que os fatores que impulsionam o aumento — ambientais, comportamentais e relacionados ao diagnóstico — atuam de forma semelhante nos dois sexos.
“O estudo mostra que não se trata de um fenômeno pontual ou restrito a um grupo específico. O crescimento é consistente e contínuo ao longo do período analisado, o que reforça a importância de políticas estruturadas de prevenção, especialmente em períodos como o verão, quando a exposição solar tende a aumentar”, destaca Cechin.
O levantamento também identifica impacto da pandemia de Covid-19 sobre os registros, com desaceleração em 2020 e retomada acelerada nos anos seguintes, interpretada como “efeito rebote” de diagnósticos postergados.
Para o IESS, os resultados reforçam a necessidade de ações permanentes de educação em saúde, fotoproteção, vigilância clínica e diagnóstico precoce. Estimativas internacionais citadas no estudo indicam que até 90% dos casos de câncer de pele podem ser evitados com medidas adequadas de prevenção.
Sobre o IESS
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo promover e realizar estudos sobre saúde suplementar baseados em aspectos conceituais e técnicos que colaboram para a implementação de políticas e para a introdução de melhores práticas. O Instituto busca preparar o Brasil para enfrentar os desafios do financiamento à saúde, como também para aproveitar as imensas oportunidades e avanços no setor em benefício de todos que colaboram com a promoção da saúde e de todos os cidadãos. O IESS é uma referência nacional em estudos de saúde suplementar pela excelência técnica e independência, pela produção de estatísticas, propostas de políticas e a promoção de debates que levem à sustentabilidade da saúde suplementar.
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Jander Ramon
São Paulo, dezembro de 2025 — O adoecimento mental entre professores brasileiros não apenas cresceu ao longo da última década, como passou a ser dominado por quadros ansiosos, segundo um novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). A mudança no perfil das licenças e afastamentos é evidente: em segmentos da educação infantil (zero a seis anos), 100% dos afastamentos acidentários são causados por transtornos ansiosos — categoria que inclui ansiedade generalizada, ansiedade mista e sintomas ansiosos não especificados. Entre professores que atuam com adultos em processos de alfabetização e séries iniciais, 75% dos afastamentos também se devem à ansiedade, reforçando a concentração inédita desse tipo de transtorno na docência.
O trabalho integra a série Caminhos da Saúde Suplementar: Perspectivas 2035. Clique aqui e acesse a íntegra do estudo.
Ao analisar dados do INSS e do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, foi possível identificar que ansiedade, depressão e reações ao estresse figuram entre as principais razões para afastamentos ocupacionais e previdenciários entre professores. Quadros adaptativos e episódios depressivos também aparecem de forma significativa, especialmente na educação infantil e nos ciclos iniciais.
Embora baseada em dados previdenciários, a análise dialoga diretamente com o ecossistema da saúde ao revelar tendências estruturais que devem pressionar tanto o SUS quanto a saúde suplementar nos próximos anos. O avanço dos diagnósticos de saúde mental entre trabalhadores — sobretudo em profissões com alta carga emocional, como a docência — tende a ampliar a demanda por atendimento especializado e reforça a necessidade de políticas preventivas.
“O adoecimento mental dos professores afeta a qualidade do ensino, reduz produtividade, aumenta custos públicos e privados de saúde e educação e eleva a procura por serviços especializados”, afirma o superintendente executivo do IESS, José Cechin. “Monitorar essas tendências é fundamental para orientar ações de prevenção e gestão até 2035.”
O estudo também situa o Brasil dentro de um movimento global: burnout, ansiedade e depressão cresceram entre docentes de diversos países, intensificados após a pandemia de Covid-19. No contexto brasileiro, fatores como indisciplina, conflitos interpessoais, violência escolar, sobrecarga emocional e ausência de apoio multiprofissional tornam o ambiente escolar ainda mais desafiador.
A publicação diferencia, ainda, os desafios enfrentados por professores que atuam com adolescentes típicos e aqueles que lecionam para alunos com transtorno do espectro autista (TEA) ou Síndrome de Down. Este segundo grupo apresenta maior risco de esgotamento quando não há formação específica, suporte técnico ou equipes interdisciplinares.
Para os próximos anos, o estudo recomenda medidas como formação continuada em saúde mental, ambientes escolares mais acolhedores, equipes multiprofissionais e integração das políticas de saúde, educação e assistência social. Essas ações são consideradas essenciais para reduzir afastamentos e mitigar impactos sobre os sistemas de saúde.
Os resultados reforçam que o avanço dos transtornos ansiosos e depressivos na docência tende a aumentar a demanda por atenção em saúde mental, com efeitos diretos sobre a rede pública e a saúde suplementar. O IESS destaca que compreender essas tendências é essencial para que operadoras, gestores públicos e empresas se preparem para um cenário de maior utilização de serviços psicológicos e psiquiátricos, pressões adicionais sobre a capacidade assistencial e necessidade crescente de modelos preventivos.
Sobre o IESS
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo promover e realizar estudos sobre saúde suplementar baseados em aspectos conceituais e técnicos que colaboram para a implementação de políticas e para a introdução de melhores práticas. O Instituto busca preparar o Brasil para enfrentar os desafios do financiamento à saúde, como também para aproveitar as imensas oportunidades e avanços no setor em benefício de todos que colaboram com a promoção da saúde e de todos os cidadãos. O IESS é uma referência nacional em estudos de saúde suplementar pela excelência técnica e independência, pela produção de estatísticas, propostas de políticas e a promoção de debates que levem à sustentabilidade da saúde suplementar.
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Jander Ramon
São Paulo, dezembro de 2025 — Entre setembro de 2000 e outubro de 2025, o número de beneficiários de planos de saúde empresariais passou de 7,1 milhões para 38,7 milhões, mais que quintuplicando. Esse grupo representa hoje mais de 73% dos vínculos médico-hospitalares do país, alcançando o patamar mais alto da série histórica monitorada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). A nova edição da Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB 112), produzida pelo Instituto, revela em dados a centralidade dos planos coletivos empresariais na saúde suplementar brasileira.
O documento revisita 25 anos de evolução do segmento e confirma que essa modalidade se consolidou como o principal eixo de sustentação do sistema privado de saúde, acompanhando o comportamento do emprego formal e a expansão da economia ao longo de duas décadas e meia. Clique aqui e acesse a íntegra do documento.
Segundo José Cechin, superintendente executivo do IESS, os planos empresariais têm papel decisivo na estrutura da saúde suplementar. “Crescem com o mercado de trabalho, refletem a economia real e constituem a espinha dorsal da cobertura privada no Brasil”, analisa.
A trajetória demográfica do segmento também demonstra solidez. A faixa de 20 a 59 anos, que representa a maior parte da população economicamente ativa, concentra 67% dos beneficiários. Jovens de 0 a 19 anos reduziram participação ao longo dos anos, enquanto o grupo com 60 anos ou mais ampliou presença, acompanhando o envelhecimento populacional. A distribuição por sexo mantém estabilidade desde o início dos anos 2000, com 51% de mulheres e 49% de homens, um padrão praticamente inalterado.
O estudo também destaca mudanças no território: São Paulo continua sendo o maior polo da saúde suplementar empresarial, com cerca de 37% dos vínculos. Minas Gerais, Rio de Janeiro e os estados do Sul complementam o núcleo mais robusto do setor, enquanto Goiás se destaca pela ampliação significativa de sua participação ao longo do período.
“A organização territorial dos planos empresariais segue a lógica da estrutura produtiva do País, refletindo níveis de formalização, renda, dinamismo econômico e geração de empregos”, explica Cechin.
Outro ponto de destaque é a melhoria da informação regulatória e a consolidação da segmentação assistencial. Em 2025, 91% dos beneficiários empresariais possuem planos com cobertura hospitalar e ambulatorial. A categoria “não informada”, que no início dos anos 2000 representava mais da metade dos registros, desapareceu quase por completo. Para Cechin, “a qualificação das bases de dados mostra um setor mais maduro e preparado para debates sobre sustentabilidade, inovação e padrões de utilização”.
Dados de outubro indicam novos avanços
Além da Análise Especial, a NAB 112 atualiza os dados do setor. O Brasil alcançou 53,2 milhões de beneficiários de planos médico-hospitalares, um crescimento de 2,7% em 12 meses, equivalente a mais de 1,4 milhão de novos vínculos.
Destes, 83,9% possuem planos coletivos (empresariais e por adesão), e entre eles, 86,9% são empresariais. A expansão é puxada principalmente pelos adultos em idade produtiva e por estados como São Paulo, que sozinho adicionou 587,4 mil beneficiários no período.
Os planos exclusivamente odontológicos também avançaram e chegaram a 35,1 milhões de beneficiários, alta de 2,9% em 12 meses (+981 mil vínculos). O setor é majoritariamente coletivo (83,6% dos vínculos) e amplamente empresarial (88,8% dos planos coletivos odontológicos pertencem a empresas). São Paulo lidera novamente em crescimento absoluto, enquanto Alagoas registra a maior queda no período.
O relatório ainda destaca a forte correlação entre emprego formal e evolução dos planos coletivos empresariais. Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o estoque de trabalhadores celetistas passou de 47,6 para 49 milhões, avanço de 2,8%, movimento que acompanha o crescimento de 4,4% nos beneficiários empresariais médico-hospitalares no mesmo intervalo.
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São Paulo, dezembro de 2025 — A adoção da medicina personalizada baseada em genômica pode transformar profundamente o modelo assistencial da saúde suplementar brasileira, com impacto direto na sustentabilidade e nos resultados clínicos, indica a nova edição da série Caminhos da Saúde Suplementar: Perspectivas 2035, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). O estudo projeta que a incorporação coordenada de tecnologias de precisão pode gerar economia potencial de R$ 15 bilhões a R$ 25 bilhões ao ano, impulsionada por diagnósticos mais precisos, terapias otimizadas, prevenção personalizada de doenças crônicas e expansão do cuidado domiciliar estruturado. Clique aqui e acesse a íntegra do estudo.
Para José Cechin, superintendente executivo do IESS, a área vive um ponto de virada. “A medicina personalizada tem capacidade real de reorganizar o sistema, permitindo que o setor ofereça cuidado mais eficiente, mais seguro e mais sustentável. Estamos diante de uma mudança estrutural na forma como tratamos, prevenimos e acompanhamos as doenças.”
Segundo o relatório, a medicina personalizada já apresenta evidências robustas de benefício em áreas como oncologia, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Em câncer, a precisão terapêutica pode elevar as taxas de resposta de 25% a 30% para 60% a 75%, enquanto na cardiologia a abordagem personalizada reduz 25% a 35% dos eventos maiores. A nutrigenômica — área que relaciona variações genéticas às respostas nutricionais — demonstrou reduzir em 71% a incidência de diabetes tipo 2 em intervenções baseadas no perfil genético individual.
O avanço tecnológico também tem sido determinante para viabilizar essa transição. O custo do sequenciamento do genoma completo caiu de US$ 3 bilhões em 2003 para menos de US$ 1.000 em 2023, abrindo espaço para uso populacional, tanto em prevenção quanto em estratificação de risco. A farmacogenômica, por sua vez, já mostra resultados imediatos, com redução de 30% a 50% dos eventos adversos medicamentosos e economia anual média de US$ 5.535 por beneficiário em programas estruturados.
Cechin destaca o potencial econômico dessa mudança: “Ao reduzir complicações evitáveis, ajustar o tratamento ao perfil genético e permitir intervenções mais precoces, a medicina personalizada não apenas melhora o desfecho dos pacientes como reduz desperdícios. É uma combinação rara em saúde: melhores resultados com menor custo.”
A desospitalização também aparece como elemento central da reorganização assistencial. Iniciativas internacionais de “Hospital at Home” mostram reduções expressivas de custos (32%), tempo de internação (33%) e readmissões em 30 dias (58%). Embora experiências iniciais na saúde suplementar brasileira indiquem resultados promissores, apenas 12–15% das operadoras mantêm programas estruturados de cuidado domiciliar, segundo o estudo.
A incorporação integrada de saúde digital — incluindo monitoramento remoto, inteligência artificial e telemedicina — é apontada como habilitadora estratégica da medicina personalizada. Dispositivos de monitoramento contínuo, combinados a algoritmos preditivos, já são capazes de identificar deterioração clínica com até 84% de acurácia, possibilitando intervenções precoces e redução de hospitalizações.
Apesar do potencial, o IESS ressalta que o avanço da medicina personalizada enfrenta desafios regulatórios, tecnológicos e educacionais. Entre eles, lacunas na legislação brasileira para dados genômicos, ausência de um marco de não discriminação genética, limitações de infraestrutura tecnológica e baixa capacitação profissional — apenas uma parcela reduzida dos médicos se considera apta a interpretar testes genéticos.
Cechin reforça a necessidade de coordenação entre os atores do setor: “Se o Brasil quiser aproveitar essa oportunidade, operadoras, prestadores, reguladores e instituições de pesquisa precisarão se mover juntos. A medicina personalizada exige novos arranjos regulatórios, integração de dados e investimentos consistentes em qualificação profissional.”
Para acelerar essa transição até 2035, o estudo propõe quatro pilares estratégicos: infraestrutura genômica compartilhada, programa nacional de nutrigenômica aplicada, expansão estruturada da desospitalização e modelos de remuneração baseados em valor, com reinvestimento das economias obtidas em inovação e ampliação do acesso.
Sobre o IESS
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo promover e realizar estudos sobre saúde suplementar baseados em aspectos conceituais e técnicos que colaboram para a implementação de políticas e para a introdução de melhores práticas. O Instituto busca preparar o Brasil para enfrentar os desafios do financiamento à saúde, como também para aproveitar as imensas oportunidades e avanços no setor em benefício de todos que colaboram com a promoção da saúde e de todos os cidadãos. O IESS é uma referência nacional em estudos de saúde suplementar pela excelência técnica e independência, pela produção de estatísticas, propostas de políticas e a promoção de debates que levem à sustentabilidade da saúde suplementar.
São Paulo, 8 de dezembro de 2025 — A judicialização na saúde suplementar pode atingir até 1,2 milhão de novos processos anuais em 2035, caso não haja coordenação institucional e reformas estruturantes. A projeção integra o novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), “Judicialização na Saúde Suplementar: Desafios Regulatórios e Caminhos para a Sustentabilidade do Setor até 2035”, elaborado com a participação do juiz federal Clenio Schulze. Clique aqui e acesse a íntegra do estudo.
O trabalho mostra que o problema já apresenta crescimento expressivo: entre 2020 e 2024, o volume de ações subiu 112%, alcançando 298,7 mil novos processos no último ano — o equivalente a uma nova ação a cada 1 minuto e 45 segundos. Mantida essa trajetória, o setor poderá conviver com um cenário de forte pressão financeira e regulatória, afetando a previsibilidade e a organização dos serviços prestados aos beneficiários.
Além do crescimento, o estudo detalha os principais motivadores da judicialização, que permanecem relativamente estáveis ao longo do tempo. Demandas por medicamentos lideram com 35% dos casos, seguidas por tratamentos médico-hospitalares (30%), reajustes contratuais (20%), órteses, próteses e materiais especiais (10%) e home care (3%). Há também forte concentração geográfica: São Paulo responde por 38% das ações, seguido de Rio de Janeiro (15%), Minas Gerais (9%) e Rio Grande do Sul (8%).
Segundo estimativas setoriais, a judicialização consumiu R$ 17,1 bilhões entre 2019 e 2023. Em paralelo, dados da ANS indicam que o setor movimentou R$ 350 bilhões em receitas em 2024, com lucro líquido de R$ 11,1 bilhões, números que refletem um ambiente financeiro que, apesar de robusto, segue pressionado por custos assistenciais crescentes e alta imprevisibilidade regulatória.
Para José Cechin, superintendente executivo do IESS, o estudo evidencia que o tema exige ação coordenada e imediata. “A judicialização não é apenas um fenômeno jurídico; é um indicador de que nossas estruturas de diálogo, regulação e mediação ainda não estão funcionando como deveriam. Quando o Judiciário vira porta de entrada do sistema, todos perdem.”
O estudo destaca também mudanças recentes no ambiente jurídico. As Súmulas Vinculantes 60 e 61 do STF e o acórdão da ADI 7265, que consolidam a taxatividade mitigada do rol da ANS, reforçam a necessidade de análise administrativa prévia, comprovação científica robusta e consulta ao NAT-JUS. Segundo Cechin, essas decisões ajudam, mas não resolvem sozinhas o problema. “A jurisprudência recente traz mais racionalidade técnica, mas sem alterações nas condutas das operadoras no sentido de fazer valer as decisões recentes do STF, e sem alinhamento entre Judiciário, reguladores e operadoras, continuaremos enxugando gelo. É preciso atacar as causas, não apenas administrar os efeitos.”
Enfatiza, ainda, experiências exitosas de desjudicialização. A Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) da ANS mantém taxa de resolução superior a 90%, enquanto câmaras de mediação estaduais — como as do Rio de Janeiro e da Bahia — evitaram mais de 80 mil judicializações desde sua criação. O e-NatJus, por sua vez, acumula mais de 272 mil notas técnicas, com crescimento de 40% nas consultas apenas em 2024.
No horizonte até 2035, o IESS projeta três cenários:
- Pessimista: até 1,2 milhão de processos anuais;
- Realista: estabilização em torno de 400 mil ações/ano;
- Otimista: redução para cerca de 170 mil ações, com fortalecimento de mediação pré-processual, criação de NAT-Saúde Suplementar e maior transparência regulatória.
Cechin ressalta que o futuro depende da capacidade coletiva de implementar reformas. “O Brasil já mostrou que sabe construir soluções inteligentes: NAT-JUS, Conitec e NIP são provas disso. Falta agora integrar essas iniciativas em um modelo coerente, previsível e sustentável. A janela de oportunidade existe — mas não ficará aberta para sempre.”
O estudo conclui que a judicialização só deixará de ser o caminho dominante se houver coordenação institucional, modernização regulatória e ampliação de mecanismos administrativos de resolução de conflitos. Para Cechin, esse é o ponto central: “O acesso à saúde não pode depender da capacidade individual de litigar. Nosso desafio é construir um sistema que funcione para todos, sem precisar do Judiciário como mediador permanente.”
Sobre o IESS
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo promover e realizar estudos sobre saúde suplementar baseados em aspectos conceituais e técnicos que colaboram para a implementação de políticas e para a introdução de melhores práticas. O Instituto busca preparar o Brasil para enfrentar os desafios do financiamento à saúde, como também para aproveitar as imensas oportunidades e avanços no setor em benefício de todos que colaboram com a promoção da saúde e de todos os cidadãos. O IESS é uma referência nacional em estudos de saúde suplementar pela excelência técnica e independência, pela produção de estatísticas, propostas de políticas e a promoção de debates que levem à sustentabilidade da saúde suplementar.
São Paulo, 25 de novembro de 2025 — A qualificação e atualização dos profissionais de saúde será determinante para que o Brasil enfrente o envelhecimento populacional, a multimorbidade de doenças e reduza desigualdades estruturais na formação e oferta de mão de obra no sistema até 2035. O novo estudo da série Caminhos da Saúde Suplementar 2035, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), mostra que o país carece de políticas integradas de desenvolvimento profissional e convive com forte assimetria regional, marcada pela concentração de profissionais nas capitais. Clique aqui e acesse a íntegra.
“A força de trabalho em saúde precisa estar preparada para uma sociedade que envelhece rapidamente e que exige competências técnicas, sociais e culturais mais amplas do que as práticas tradicionais contemplam”, afirma José Cechin, superintendente executivo do IESS.
O relatório destaca que o Brasil não possui uma política nacional obrigatória de capacitação para todas as categorias da saúde e que fragilidades nos currículos e na formação em serviço dificultam o atendimento às necessidades da população. Mesmo com expansão de cursos, a preparação continua insuficiente para estimular competências interprofissionais, sensibilidade cultural e domínio de tecnologias emergentes. Esse descompasso fica evidente na distribuição dos profissionais: municípios com mais de 500 mil habitantes concentram 57,8% dos médicos, com 5,75 por mil habitantes, enquanto municípios com menos de 5 mil têm apenas 0,51.
“Sem investir em qualificação permanente, continuaremos formando profissionais que não respondem adequadamente às necessidades reais da população, especialmente nas regiões mais vulneráveis”, destaca Cechin.
Entre as recomendações, o estudo defende políticas de desenvolvimento profissional contínuo, fortalecimento da formação interprofissional, maior uso de tecnologias educacionais — como simulação e teleducação — e mecanismos de certificação e acreditação das práticas formativas. A análise também apresenta experiências de Canadá, Austrália e Reino Unido, que adotam sistemas estruturados de atualização com avaliações periódicas, prática reflexiva e documentação sistemática. “Esses países mostram que a formação não termina na graduação. É preciso acompanhar, avaliar e garantir padrões mínimos de competência ao longo de toda a carreira”, complementa Cechin.
A capacitação insuficiente impacta diretamente a segurança do paciente e a equidade no cuidado. Falhas formativas contribuem para erros, eventos adversos e desigualdade de acesso, especialmente entre populações vulneráveis. A disparidade é evidente na saúde bucal: 37,17% das crianças de 5 anos nunca foram ao dentista e 46,83% têm cárie não tratada; entre adolescentes de 15 a 19 anos, o índice chega a 43,73%. Na enfermagem, o Sudeste concentra 47,5% dos profissionais, enquanto o Norte registra apenas 3 por mil habitantes.
O envelhecimento populacional é apontado como desafio central. O país deverá demandar mais geriatras, profissionais de reabilitação, cuidadores formais, psicólogos e assistentes sociais, ampliando a pressão sobre a força de trabalho. Projeções indicam que, em 2035, o Brasil deve alcançar 5,25 médicos por mil habitantes, mas desigualdades persistirão: o Distrito Federal pode ultrapassar 11,8 por mil habitantes, enquanto estados da Amazônia Legal devem manter densidades reduzidas, como Maranhão (2,43) e Pará (2,56). Para o IESS, fortalecer a formação voltada ao idoso é fundamental para garantir cuidado integral e sustentável.
Distribuição desigual dos profissionais de saúde no Brasil
O estudo reforça que a distribuição territorial permanece profundamente desigual, afetando o acesso ao cuidado:
• Norte — menor densidade de médicos, dentistas, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas, com escassez acentuada em municípios pequenos.
• Nordeste — forte desigualdade entre capitais e interior, com carências em diversas categorias.
• Sudeste — concentra a maior parte dos profissionais, apoiado por maior oferta formadora e infraestrutura.
• Sul — proporção intermediária, com desigualdades internas persistentes.
• Centro-Oeste — distribuição relativamente mais proporcional, ainda insuficiente em municípios menores.
O IESS conclui que superar as lacunas atuais exige ação coordenada entre governo, instituições de ensino e serviços de saúde. Políticas estruturadas, valorização profissional e integração interprofissional serão essenciais para consolidar um sistema capaz de oferecer cuidado de qualidade, centrado na pessoa e adequado aos desafios que se intensificarão até 2035.
Sobre o IESS
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo promover e realizar estudos sobre saúde suplementar baseados em aspectos conceituais e técnicos que colaboram para a implementação de políticas e para a introdução de melhores práticas. O Instituto busca preparar o Brasil para enfrentar os desafios do financiamento à saúde, como também para aproveitar as imensas oportunidades e avanços no setor em benefício de todos que colaboram com a promoção da saúde e de todos os cidadãos. O IESS é uma referência nacional em estudos de saúde suplementar pela excelência técnica e independência, pela produção de estatísticas, propostas de políticas e a promoção de debates que levem à sustentabilidade da saúde suplementar.
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Jander Ramon
