Como já falamos em diferentes momentos, vivenciamos um sistema de assistência à saúde complexo, com falhas de comunicação e coordenação, o que resulta em um cuidado fragmentado e desperdícios. Além disso, a atenção em saúde ainda é especializada e voltada para o tratamento da doença, e não do indivíduo.
Por esses e outros fatores é que o cuidado coordenado é uma importante ferramenta para auxiliar no desenvolvimento do setor de saúde e da atenção prestada ao paciente. Nós já trouxemos aqui os principais elementos, apontamos a conceituação desse modelo e também falamos de como é uma ótima estratégia para a redução de custos no setor.
O tema de hoje também é de extrema importância: os desafios na transição do cuidado. O nosso Texto para Discussão n° 78 “Cuidados Coordenados: uma chave estratégica para um melhor sistema de saúde suplementar” aponta que um documento do Grupo MacColl Institute for Healthcare Innovation, com apoio do The Commonwealth Fund, denominado “Reduzindo a Fragmentação do Cuidado: Um Kit de Ferramentas para Coordenar o Cuidado”7 que traz estratégias práticas para ajudar a implementar ações de coordenação de cuidado elenca alguns desafios:
- Responsabilidade: ela é compartilhada, o que contribui para a ambiguidade sobre quem é o responsável por fazê-lo funcionar bem;
- Comunicação: muitos médicos de atenção primária não têm relações pessoais com especialistas e hospitais, o que pode dificultar a comunicação;
- Tempo e esforços: consultas, encaminhamentos ou transições eficazes geralmente não são reembolsados
- Estrutura: a maioria das práticas de atenção primária não possui pessoal dedicado ou infraestrutura de informações (como um prontuário eletrônico) para coordenar o atendimento de forma eficaz.
Outro importante ponto diz respeito às transições do cuidado. Um importante aspecto a ser levado em consideração tanto quando a prestação de serviços ou a responsabilidade por algum aspecto do cuidado de um paciente é transferida entre duas ou mais entidades de assistência médica ou quando é mantida ao longo do tempo por uma mesma entidade.
Nesse sentido, a publicação aponta dois cenários:
- Transições entre entidades do sistema de saúde – entre membros das equipes, entre diferentes times de profissionais, entre pacientes/cuidadores informais e cuidadores profissionais, nos diferentes níveis de atenção (cuidados primários, especiais, internação, departamento de emergência) ou ainda entre instituições.
- Transições ao longo do tempo - visita inicial e visita de acompanhamento, estágios da vida (desenvolvimento pediátrico, ciclo reprodutivo de mudança das mulheres, necessidades de cuidados geriátricos etc.), na trajetória da doença e da mudança dos níveis de coordenação.
Por fim, o documento aponta os objetivos para que esses desafios sejam mitigados. Conheça:
- Oportuno: os pacientes recebem transições e serviços de consulta necessários sem atrasos desnecessários.
- Seguro: as referências e transições são planejadas e gerenciadas para evitar danos aos pacientes devido a erros médicos ou administrativos.
- Eficaz: referências e transições são baseadas em conhecimento científico e devem ser bem executadas para maximizar seu benefício.
- Centrada no paciente: as referências e transições respondem às necessidades e preferências do paciente e da família.
- Eficiente: as referências e transições são limitadas àquelas que beneficiam os pacientes e evitam a duplicação desnecessária de serviços.
- Equitativo: a disponibilidade e qualidade dos encaminhamentos e transições não variam de acordo com as características pessoais dos pacientes
Ficou curioso para acessar a publicação? Veja agora e saiba como a coordenação dos cuidados pode auxiliar na criação e desenvolvimento de novas ferramentas para a melhor gestão da saúde.
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Sempre atento em trazer novas discussões sobre Saú...Como falamos recentemente, o modelo de assistência à saúde tem falhas de comunicação e coordenação (cuidado fragmentado), desperdícios, muitas vezes foca suas atenções para o tratamento da doença, e não do indivíduo. Por isso, lançamos o “Texto para Discussão n° 78 - Cuidados Coordenados: uma chave estratégica para um melhor sistema de saúde suplementar” que mostra como a prática pode aprimorar o setor com seu potencial de integrar a prestação de cuidados assistenciais.
Para otimizar o setor e evitar a fragmentação, o conceito de coordenação de cuidados em saúde tem sido utilizado em diversos países como uma chave estratégica para guiar um paciente em um sistema de saúde complexo e permitir que os gestores melhorem a satisfação do usuário, sua saúde, a qualidade, segurança, eficácia e eficiência de todo o sistema.
A ideia aqui é que uma pessoa ou instituição cuide do indivíduo como um todo e por toda a sua história de vida, que faça uma avaliação global (visão holística), entendendo suas peculiaridades e que as informações entre todos os prestadores estejam disponíveis, permitindo diagnósticos e tratamento mais efetivos.
Conforme mostra a publicação, o termo é um conceito usado por diferentes pesquisadores com diversas definições. “A Coordenação do Cuidado é a organização deliberada das atividades de assistência ao paciente entre dois ou mais participantes (incluindo o paciente) envolvidos nos cuidados da pessoa afim de facilitar a prestação adequada dos serviços de saúde. A organização do atendimento envolve o recrutamento de pessoal e outros recursos para realizar todas as atividades necessárias de assistência ao paciente, gerido pela troca de informações entre os participantes responsáveis por diferentes aspectos do cuidado”, aponta o texto na tradução livre de McDonald KM et al., 2007 que realizaram uma revisão sistemática com mais de 40 definições para o termo e combinaram os elementos comuns.
O material também traz o Anel de Coordenação de Cuidados, definição visual para ajudar a ilustrar o tema e mostrar seu objetivo. Nesse processo, os desafios são comuns, como por exemplo, o relacionamento entre as pessoas e entre os profissionais em um setor marcado pela escassez de tempo entre os envolvidos.
Mas os desafios e a transição do cuidado são temas de outro texto. Acesse aqui o material na íntegra e continue acompanhando nossas publicações nos próximos dias.
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Como já falamos em diferentes momentos, vivenciamo...Cuidar da saúde de modo mais amplo do que apenas passar por uma avaliação médica. É muito importante levar em consideração todas as dimensões da saúde: física, emocional e social e, para isso, ações de promoção de saúde e prevenção de doenças são fundamentais.
Atualmente, temos um sistema de assistência à saúde complexo. Claro que muito se avançou nos últimos anos, mas ainda existem falhas de comunicação e coordenação, o que resulta em um cuidado fragmentado, desperdícios, além da assistência estar focada no tratamento da doença, e não no indivíduo.
Quando um paciente é acompanhado por um profissional de referência, fica mais fácil identificar fatores de risco e a intervenção precoce. O cuidado coordenado consiste em um conjunto de medidas que visam trazer um atendimento mais direcionado.
Foi com isso em mente que o nosso “Texto para Discussão n° 78 - Cuidados Coordenados: uma chave estratégica para um melhor sistema de saúde suplementar” pretendeu mostrar como a prática pode aprimorar o setor, o potencial de integrar a prestação de cuidados assistenciais de um paciente aos diferentes prestadores e especialistas para um atendimento focado na pessoa. A publicação mostra como a coordenação pode melhorar os resultados para os pacientes, prestadores, planos de saúde e organizações.
Para tanto, traz algumas conceituações dessa modalidade e seus principais elementos:
- Acesso fácil a uma ampla gama de prestadores e serviços de saúde;
- Eficiência na comunicação, integração e transição contínua do cuidado entre os prestadores;
- Foco nas necessidades do paciente;
- Informações claras e simples para que os pacientes entendam;
- Existência de meios e ferramentas para compartilhar informações.
Sendo assim, o TD mostra que existem três perspectivas sobre a coordenação de cuidados que vão da visão dos pacientes e suas famílias até a do representante do sistema de saúde, passando pela ótica dos profissionais de saúde.
O estudo ainda apresenta questões não clínicas muitas vezes esquecidas e que também podem afetar a qualidade do atendimento, como por exemplo, os determinantes sociais do paciente, insegurança alimentar, ambiente de trabalho, tipo de moradia, transporte para o deslocamento até o prestador ou farmácia, nível de alfabetização em saúde e a indisponibilidade de profissionais de saúde, plano de saúde, hospital e assistência social.
A publicação reforça que se esses pontos não forem abordados, podem representar graves lacunas no atendimento, levando a internações e desfechos não planejados.
Iremos apresentar os diferentes pontos abordados pelo texto para discussão nos próximos dias. Enquanto isso, você já pode acessar e ler na íntegra agora.
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Autor: Bruno Minami
Superintendente executivo: José Cechin
Estudo traz estratégias para aprimorar o sistema de saúde suplementar com essa prática, que tem o potencial de integrar a prestação de cuidados assistenciais de um paciente aos diferentes prestadores e especialistas para um atendimento focado na pessoa.
Também mostra que há diferentes perspectivas sobre a coordenação de cuidados que vão da visão dos pacientes e suas famílias até a do representante do sistema de saúde, passando pela ótica dos profissionais.
Como já mostramos, as operadoras de planos de saúde devem gastar R$ 383,5 bilhões com assistência de seus beneficiários em 2030. O montante representa um avanço de 157,3% em relação ao registrado em 2017 segundo a “Projeção das despesas assistenciais da saúde suplementar”, que lançamos no último ano. Esse valor representa mais do que o dobro do que foi gasto em 2017 e acende uma luz de alerta para o setor.
Um dos pontos fundamentais na busca por frear os crescentes gastos em saúde diz respeito à mudança do modelo da assistência, como de práticas que foquem na Atenção Primária à Saúde. Portanto, é com bons olhos que vemos ações que incentivem essa modalidade.
Uma delas vem da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que realizará o Seminário de Acompanhamento do Laboratório de Inovações em Atenção Primária na Saúde Suplementar no dia 30 de abril, no Rio de Janeiro. Voltado para operadoras de planos de saúde, o evento busca divulgar resultados, desafios e melhorias encontrados pelo Laboratório de Inovações da ANS em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).
“Através de uma política indutora de práticas de cuidado integral, esperamos promover a interface necessária entre a promoção da saúde e a prevenção de riscos e doenças”, explicou o diretor de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, Rogério Scarabel, que participará do seminário.
Importante lembrar o trabalho vencedor da categoria Promoção de Saúde e Qualidade de Vida no VII Prêmio IESS, “Atenção Primária na Saúde Suplementar: estudo de caso de uma Operadora de Saúde de Belo Horizonte”, de Eulalia Martins Fraga, um dos primeiros no País sobre o tema.
Confira a programação completa do evento no site da Agência
