Pesquisa Vox Populi / IESS aponta espaço para novos modelos de planos de saúde
O debate sobre a criação de planos de saúde com cobertura restrita a consultas e exames permaneceu interditado nos últimos anos. Em 2025, foi registrado recorde de beneficiários de planos médico-hospitalares e, ao mesmo tempo, a expansão dos chamados “cartões de desconto” na área da saúde chegou ao ponto de esse segmento passar a ser regulado pela ANS, conforme decisão do STJ – ainda que o produto não seja um plano de saúde. Diante dessas circunstâncias, talvez o momento seja propício para a retomada do debate sobre a diversificação de produtos da saúde suplementar.
A pesquisa Vox Populi / IESS traz um sinal claro de abertura para novos modelos de oferta desses produtos: 38% dos não beneficiários afirmam que fariam adesão a um plano de saúde mais barato, com cobertura restrita a consultas e exames, sem cirurgias e internações. O dado revela que uma parcela expressiva da população está disposta a ingressar no sistema a partir de produtos segmentados, indicando espaço para formatos mais acessíveis como porta de entrada para a cobertura privada.
Esse interesse não é isolado. O levantamento mostra que 61% dos não beneficiários dizem que gostariam de ter um plano de saúde, o que reforça que a maioria da população atualmente fora da saúde suplementar não rejeita o conceito de plano, mas enfrenta limitações práticas – essencialmente financeiras – para aderir. Trata-se de uma demanda potencial relevante, que permanece reprimida diante das condições atuais de oferta.
Ao mesmo tempo, os resultados da pesquisa indicam que o preço e a falta de condições financeiras são os principais motivos para não ter um plano de saúde, tanto entre quem nunca foi beneficiário quanto entre aqueles que já tiveram cobertura no passado. A recorrência desse fator nas diferentes análises do estudo evidencia que o custo segue como o principal entrave ao acesso, especialmente em um contexto de renda pressionada e instabilidade no mercado de trabalho.
Apesar dessas restrições, a percepção de valor do plano de saúde permanece elevada. A pesquisa Vox Populi / IESS mostra que mais de 85% dos não beneficiários consideram que ter um plano de saúde é algo de grande importância, patamar que se mantém consistentemente alto ao longo dos anos. Essa combinação entre alta valorização e barreira econômica reforça a necessidade de repensar modelos de cobertura como parte da agenda de ampliação do acesso e de fortalecimento da sustentabilidade da saúde suplementar no Brasil.
